Redes sociais do século passado e o “paradigma do novo”

Das atualizações de status de Voltaire aos vídeos virais de Edison

Não é de hoje que se discute até que ponto uma coisa é, de fato, nova. E, por isso, o “paradigma do novo” é um viés recorrente para criativos e empreendedores que se aventuram no admirável mundo da inovação. Existe a métrica de que tudo criado na contemporaneidade deriva de algo que pré-existia e, portanto, não é novo ou digno da alcunha da inovação. Mas não seria isso óbvio? Seja qual for a circunstância, uma nova ideia deve, invariavelmente, ser oriunda de algo, ou de alguma coisa: pensamentos, insights, experiências empíricas, científicas, observação do mundo e por aí vai…

Pois bem, fato é que a política da novidade das ideias está cada vez mais urgente e menos crescente. Se analisarmos as redes sociais e novas tecnologias, por exemplo: saber utilizar o twitter ou ser detentor de um perfil, não quer dizer que você seja um expert em social media. A bem da verdade, a coisa vai pela contramão.

À guisa de exemplo, vale citar um excelente artigo publicado há uma mês no www.brainpickings.org, que remonta cinco conceitos dos séculos de antanho, muito semelhantes às instalações centrais de cinco dos queridinhos de hoje da web social, na esperança de ilustrar que, de fato, a criatividade é combinatória e a inovação incremental.

O TWITTER DO SÉC. XX

Em novembro de 1906, o anarquista, artista e empresário literário Félix Fénéon, escreveu um relatório sucinto no jornal Le Matin, de Paris – que contemplava as mais variadas pautas jornalísticas, desde mortes notáveis à pequenos furtos e desastres de uma expedição naval. O relatório do cara se transformou então, numa espécie de “Twitter de um homem só”, do início do século XX.

Em Illustrated Three-Line Novels: Félix Fénéon, a artista  Joanna Neborsky capta o melhor destas vinhetas enigmáticas em ilustrações e colagens impressionantes; às vezes profundas, muitas vezes desconcertantes e sempre atraentes. Esses instantâneos visuais de micro-narrativas históricas, oferecem um vislumbre bizarro e belo de uma longa e mágica época francesa, através das linhas de um gênio.

MAPPING THE REPUBLIC OF LETTERS: UM DOS PRECURSORES DO FACEBOOK

Muito antes de existir o Facebook, houve a Republic of Letters, ou República das Letras – uma vasta e intrincada rede de intelectuais, que ligava os melhores “filósofos” do Iluminismo além das fronteiras nacionais e barreiras linguísticas. Esta comunidade auto-definida de escritores, estudiosos, filósofos e outros pensadores incluía nomes como Voltaire, Leibniz, Rousseau, Linnaeus, Franklin, Newton, Diderot e muitos outros que vemos como pivôs da história cultural e desencadeadores dos processos de pensamento crítico.

O Mapeamento da República das Letras é um projeto fascinante, desenvolvido por uma equipe de alunos e professores da Universidade de Stanford, visualizando a famosa correspondência intelectual do Iluminismo, como eles viajaram, e como a rede evoluiu ao longo do tempo.

Agora, se isso não for uma “rede social”…

Para mais informações sobre o projeto, acesse.

O ÓRACULO DE QUORA

 

 

 

 

 

 

Publicado em Londres entre 1690 e 1697, o The Athenian Mercury fornecia respostas às perguntas dos leitores sobre o amor, literatura, ciência, religião e uma variedade de preocupações utilitárias e assuntos pessoais; algo como um oráculo pessoal.

The Athenian Oracle: Being an Entire Collection of All the Valuable Questions and Answers in the Old Athenian Mercuries é uma reprodução exata do livro publicado no início de 1920, e trata das questões mais fascinantes e respostas mais intrigantes a partir dos arquivos da gazeta. Você também pode experimentar alguns deles no Athenian Mercury Project online.

YOUTUBE E UM ‘VIRAL DAS ANTIGAS’

Se você pensou que virais-de-gatinhos-fofinhos-que-prendem-a-atenção-de-milhões-de-pessoas é um fenômeno da era do YouTube, você está errado. O homem a quem se deve em grande parte a própria existência do YouTube é Thomas Edison. Foi ele quem inventou a primeira câmera que produzia imagens em movimento e fez do filme tanto um meio de comunicação de massa como um ofício do ócio criativo – inventando o que seria o precedente para a visualização da penca de conteúdo audiovisual que temos acesso hoje em dia. Tudo isso em… 1894.

Abaixo, um “viral das antigas”, em que Edison capta uma ação incomum de duas donzelas em um embate épico.

FLORILÉGIO: UM TUMBLR MEDIEVAL 

Florilégios eram compilações de trechos de outros escritos, através da junção de passagens selecionadas e da conexão de pontos de textos existentes para melhor ilustrar um determinado tópico, doutrina ou ideia. A palavra vem do latim para “flor”e “reunir”. Ou seja: reunir as melhores flores do jardim, formando um buquê textual-filosófico. Do florilégio nasceu então um dos primeiros exemplos registrados de cultura remix. 

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