Social media o quê? #SMWRIO

Um breve rasante sobre os três dias de Social Media Week – RJ

A terceira edição do maior evento do mundo sobre mídias sociais, o Social Media Week, teve seu fim na última sexta-feira. O evento gratuito rolou entre os dias 19 e 23 de setembro de 2011, em 12 cidades espalhadas ao redor do mundo, simultaneamente.

Social Media Week, como os próprios organizadores definem na página do Facebook, é uma rede de conferências bianuais e online. Seu objetivo é compartilhar experiências de aprendizagem acerca das novas mídias sociais, visando discutir o impacto e os rumos destas plataformas de comunicação digital nas empresas e na vidas das pessoas.

Pois bem. A Nuts Design de Ideias marcou presença nas duas últimas edições do encontro – primeiro em São Paulo, em fevereiro deste ano, e agora na versão carioca do evento –, buscando trazer insights, aprimorar os conhecimentos e suscitar discussões acerca deste tema tão instigante e atraente.

Social Media no Rio de Janeiro

Dentre 11 países participantes do evento, o Brasil foi um dos que foi agraciado com duas cidades. Talvez pela pluralidade de ideias, talvez pela efervescência do certame tupiniquim atual, no que quis respeito as diferentes abordagens para meios digitais e como as pessoas estão sendo impactadas pelos novos meios.

Se a maioria dos eventos ligados à cultura digital ocorrem em São Paulo, em 2011, pintou a edição Rio de Janeiro do Social Media Week. Não teria como ser diferente, posto a importância da cidade para os próximos anos. Porém, bastava dar uma olhadinha na programação (e na profundidade dos debates), que se perceberia que a “diferença” entre produção entre os eventos, paulista e carioca. Entretanto, a Gama Filho recebeu muito bem os participantes, que não chegaram a lotar o auditório, mas foram bem ativos, participando com perguntas ao vivo e tweets sobre o evento.

Vamos ao painéis, um por um…

SMW/SP - Agenda 3a feira

18h00 – 19h00 > OPORTUNIDADES CARIOCAS

Participantes:

Roberto Cassano (Frog)
Lucia Jaimovich (TeclaMusic)
Léo Brossa (Publicidade Interativa)
Alvaro Rodrigues (Grupo 3+)
Risoletta Miranda (FSB)
Pedro Kranz Costa (Peixe Urbano).

O debate:

Se o Rio de Janeiro é tão bom, porque pagam menos se comparado a São Paulo?

A comparação foi inevitável. Algumas respostas vieram, algumas respostas foram, mas nada muito convincente. O que parece é que o Rio de Janeiro ainda não se livrou dos estigmas de malandro de sapato branco e praia ao invés de trabalho. Apesar disto, discussões importantes foram levantadas, e parece que a visão sobre o mercado digital carioca foi arrematada. Quando todos os palestrantes que foram perguntados sobre as reais “Oportunidades Cariocas”, afrimaram estar à caça de profissionais para trabalhar com mídias sociais, tivemos a certeza do potencial da cidade neste âmbito.

Conclusão: O Rio de Janeiro não só vale a pena, vale a galinha inteira.

19h00 – 20h00 > ARTE E CULTURA NAS MÍDIAS SOCIAIS

Participantes:

Sérgio Sá leitão (Rio Filmes)
Rosane Svartman (Filme Desenrola)
Fábio Seixas (Conspiração)
Beto Largman (O Globo) como moderador.

O debate:

Um dos painéis mais aguardados da noite visava discutir como a produção e disseminação cultural estão sendo impactadas pelos meios digitais. A bem da verdade, a mesa não chegou a abordar muitos tipos de artes, mas trouxe excelentes ideias no que diz respeito ao audiovisual e suas múltiplas consequências na web.

Dentre as várias referências apresentadas, acredito que a que mais surpreendeu foi Mil Casmurros, leitura coletiva do livro de Machado de Assis, indicada pela Rosane Syartman. Citou-se também o famoso projeto de vídeo coletivo Life In Day e a divulgação de filmes da Rio Filmes utilizando mídias sociais, além do filme Teste de Elenco da Fondo Filmes (Anões em Chamas), o primeiro longa-metragem brasileiro a ser lançado exclusivamente na internet.

20h00 – 21h00 > A REVOLUÇÃO DO CONTEÚDO – DA BBS AO HUFFINGTON POST

Participantes:

Júlio Hungria (BlueBus)
Ricardo Galletti (Luxury Mkt Council Brasil)
Marcio Nunes (Bitix).

O debate:

Se até agora estava indo tudo bem, no último debate do primeiro dia as discussões acerca do conteúdo foram demasiadamente tradicionais e não foram bem o que o público esperava. O papo sobre os rumos que o jornalismo está tomando diante das ferramentas digitais e das possibilidades abertas pelas mídias sociais, ficou muito aquém das expectativas. O auditório foi ficando vazio, vazio… até acabar com poucos gatos pingados que assistiram a uma palestra insossa e sem muitos questionamentos.

SMW/SP - Agenda 4a feira

18h00 – 19h00 > OS PRÓXIMOS 5 ANOS DO RIO

Participantes:

Leandro Maia (Spoleto)
Ana Erthal (ESPM/RJ) como moderadora

O debate:

Com um desfalque de três pessoas, a palestra surpreendeu positivamente, com @leandrosamaia do @spoleto conduzindo um excelente papo sobre interação mobile e atuação de marcas nas redes sociais com a moderadora @anaerthal.

Leandro apresentou um case do @spoleto, em que contou como a rede de restaurantes tem usado o foursquare, dando pratos de graça todas as sextas para os seus prefeitos. Mas, aí vem a sábia pergunta: E se o cara burla o jogo?, afinal, no foursquare você não precisa estar no local para fazer check-in. O cara tinha a resposta na ponta da língua:  “Você não faz check in em um lugar que não quer divulgar e, além disso, há o policiamento dos amigos”.

Além da ação, muito se falou sobre a importância do envolvimento de todas as partes – dos funcionários aos clientes – para o êxito da campanha. Como resultado, o @spoleto aumentou em  3% suas vendas após a ação.

19h00 – 19h30 > 10 COISAS PARA ENGANAR O CLIENTE

Participante:

Pablo Peixoto (Pérolas para Porcos+Qu4trocoisas)

Pablo Peixoto desfez o nó da gravata e arrancou boas risadas do público, em um dos pontos mais altos do evento. Com uma mescla dificílima de humor e conteúdo, sem ser piegas, clichezento ou moralista, ele deu um show. 10 coisas para enganar o cliente nem entrou diretamente no tema das novas mídias sociais, mas disse muito a respeito das relações profissionais que são, também, foco dessas novas mídias.

Anote aí: 10 formas de enganar o cliente, segundo o evangelho de Pablo Peixoto:

1 – Faça um Power Point:
Todo cliente quer ver uma apresentação em PPT, mostra seriedade, faça isso.

2 – Arredonde a seu favor:
Se são 7, fale quase 10. Se são 200, centenas. Se são 2 mil, milhares…

3 – Termine seu texto com 3 palavras:
a)    Esta proposta visa a inteligência, a dinâmica e a pró-atividade.
b)    Objetivamos fazer com eficiência, eficácia e tecnologia.

4 – Invente estatísticas:
a)    90% das pessoas que costumam clicar em curtir realmente curtem os conteúdos
b)    77,7% dos jogos de computador possuem um desenvolvedor brasileiro na equipe.

5 – Neologismos
Capriche nas novas expressões, principalmente em inglês, estilo outdoor. Mas, tome nota: neologismos em inglês denotam eficiência, em francês preço caro.

6 – Arrume o cenário
Hoje não se buscam espaços tradicionais. A boa empresa deve ter pessoas que vestem saia e botas cano-alto. O ambiente deve ter mesas de sinuca e bebedouros de coca-cola. Faça seu cliente sonhar como se estivesse no Castelo da Cinderela da Disney.

7 – Porcentagens salvam
Sua campanha de marketing gerou apenas 4 novos seguidores no twitter. Porém, veja pelo lado positivo, quando ela começou, só havia 1 seguidor. Ou seja, cresceu 400%.

8 – Use eufemismos
Nunca diga para o cliente que deu merda no projeto, suavize. Diga que está em um estágio de reconstrução e repensamento cultural sobre as novas posturas organizacionais.

9 – Atendimento gostosas
Quem olha peitos não vê números. Se as fornecedoras forem bôuas, que importa o resto?

10 – Não seja criativo
Clientes querem fazer sempre a mesma coisa. Não o assuste, siga as suas regras do jogo.

19h30 – 20h00 > PT-BR VS ENG

Participante:

Fábio Giolito (We Heart It; Lista Amiga)

Um garoto. Dois star-ups. Duas línguas. Sites com milhares de seguidores (We Heart It; Lista Amiga. Se a proposta era falar sobre a dificuldade de criar um projeto inovador e em qual língua criar, a resposta ficou bem clara: faça o site na língua do seu público. Bom, já dizia o filósofo Wittgeinstein “os limites da minha linguagem denotam os limites de meu mundo”. Faz todo o sentido.

Impressionante é o fato de os chineses (ah, os chineses!) fazerem uma versão made in china do site de Fábio Giolitodê uma espreitada e veja o que acha: http://weheartit.com/ (original) http://www.topit.me/ (made in china) SENSACIONAL OU REVOLTANTE?

20h00 – 21h00 > NA FRENTE

Participantes:

Edson Mackeenzy (Videolog)
Eduardo Jacome (Global Sport Network)
Ana Erthal (ESPM/RJ) como moderadora

Novamente faltaram 3 palestrantes. Eis que um plano B é posto em prática: convidaram para a mesa o Eduardo Jacome, que roubou a cena e deu um show de simpatia. Ao seu lado estava Edson Mackeenzy  do videolog e na mediação Ana Erthal. Com um papo informal, foram pensadas as relações com os clientes das redes sociais e como reforçar a marca diante deles.

Findadas as mesas, o saldo do dia foi extremamente positivo.

SMW/SP - Agenda 5a feira

Rápido como um tweet, o evento acabou. Pela última vez fizemos check-in no #SMWRIO 2011.

18h00 – 19h00 > COMUNIDADES REAIS

Participantes:

Mayra Jucá (Viva Favela)
Rodrigo Nogueira (Martinica Digital)
Karine Mueller (Imaginário Digital)

O debate não começou muito quente, Mayra Jucá falou do projeto Viva Favela, Rodrigo Nogueira destacou as ações colaborativas nas construções de redes virtuais em favelas, abordou a web cidadania e Karine Muller tocou na importância de mesclar morro e asfalto.

São tantos os pontos de convergência e divergência entre as diferentes classes sociais habitam a rede, que é difícil prover uma análise satisfatória dessa cena. No mundo virtual, diferente do real, o lugar que você mora, talvez pouco importe. A internet continua aí, cumprindo seu papel, disseminando, popularizando, democratizando…

19h00 – 20h00 > O ESTADO E AS MÍDIAS SOCIAIS

Participantes:

Pedro Perácio (Prefeitura do Rio)
Arthur Jacob (SIGA Social)
Marcos Araújo(HEMORIO)
Beto Largman (O Globo) como moderador

Talvez uma das discussões mais interessates do evento, a palestra “O estado e as mídias sociais”, tinha o intuito de discutir como instituições e orgãos governamentais das três esferas, federal, estadual e municipal, estão usando as mídias sociais para oferecer melhores serviços e mais qualidade de vida para a população. E conseguiu.

Primeiro falou Pedro Perácio (destaque para o aplicativo 1746 que permite interação com a prefeitura do RJ). Você está na rua, um buraco lhe perturbou, você tira a foto e manda direto para o e-mail pessoal do Eduardo Paes. O público diante das novidades: Óóóóóó! Na sequência veio Arthur Jacob, apresentando sua grande sacada: o Siga Social. O garoto pegou a ideia do programa da UFRJ e criou uma rede social universitária para que as pessoas possam trocar dicas sobre professores, turmas, disciplinas etc.

Foi aí que surgiu o Marcos Araújo, que levou o público a uma histeria de nobreza de coração, como se fossem cosplays da cruz vermelha. O tema é realmente de grande relevância: como as redes sociais tem estimulado a doação de sangue. Segundo números apresentados, um mero tweet, convocando pessoas para doar por uma causa específica, pode levar mais de mil doadores ao hemorrio! Incrível.

20h00 – 21h00 > PONTE AÉREA – SMW/Rio+SP

Participantes:

Vinícius (Frog)
Beto Largman (O Globo)
Pedro Dória (O Globo)

Reunir, via skype, debatedores de São Paulo e Rio de Janeiro, para discutir o mercado brasileiro de mídias sociais era, de fato, uma excelente ideia para a corar o último dia de debates de um evento desta estirpe. No entanto, os pessimistas e céticos já diziam: eu já sabia! Alguma coisa estava prestes a dar errado. E deu. O voo atrasou. Depois foi cancelado. A conexão não foi estabelecida.

Ficamos então com o debate entre Pedro Dória e Vinícius, da agência Frog. A desconectividade, no entanto, não prejudicou o nível da última mesa. Pelo contrário. Esquecida a cizânia anunciada (SP x RJ), após a falha da comunicação, o debate fluiu de maneira inteligente e interativa, suscitando discussões sobre sobre o jornalismo na web, consumo de conteúdo, formadores de opinião etc.

http://socialmediaweek.org/

@socialmediaweek


Via: desensino

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